Filhote de peixe-boi marinho é resgatado em praia no litoral norte da Paraíba

Graças à união entre moradores, pescadores e monitores e técnicos de instituições ambientais do litoral norte da Paraíba, foi dado o direito de vida a um animal da espécie que atualmente é considerada o mamífero aquático mais ameaçado do país. Na madrugada do dia 1º de janeiro, pescadores da Praia de Campina, em Rio Tinto (PB), avistaram um filhote de peixe-boi marinho (Trichechus manatus manatus) encalhado na Praia do Oiteiro (PB) e entraram em contato com a equipe da Fundação Mamíferos Aquáticos (FMA) que está atuando na Área de Proteção Ambiental da Barra do Rio Mamanguape, com o Projeto Viva o Peixe-Boi Marinho - patrocinado pela PETROBRAS, através do Programa Petrobras Socioambiental. Acompanhada pelos monitores da APA da Barra do Rio Mamanguape/ICMBio, a equipe da FMA foi ao local prestar o atendimento adequado ao animal e realizar o resgate. O peixe-boi marinho estava aparentemente bem e se tratava de uma fêmea ainda com resquícios do cordão umbilical.




O pescador que encontrou o filhote o batizou de Vitória. No momento da operação de resgate, moradores locais e os técnicos da FMA e da APA da Barra do Rio Mamanguape tentaram localizar nas proximidades da região do encalhe, a mãe do filhote ou algum grupo de peixes-bois marinhos para verificar a possibilidade de o animal ser devolvido ao mar. Mas não foi identificado. Como teria poucas chances de sobreviver sozinho, já que se tratava de um filhote que necessitaria dos cuidados da mãe até aproximadamente dois anos de idade (período em que ocorre o desmame), as equipes envolvidas o deslocaram para a base da APA, localizada no estuário da Barra do Rio Mamanguape. A equipe do Centro Mamíferos Aquáticos (CMA), localizada na Ilha de Itamaracá (PE), foi comunicada da ocorrência e veio até à Paraíba para realizar o deslocamento de Vitória para Itamaracá, onde vem recebendo os cuidados necessários desde então. De acordo com últimas informações do CMA, o filhote apresenta comportamento satisfatório e está se alimentando bem.


O filhote Vitória só teve chance de vida por um conjunto de ações favoráveis, que foram desde as orientações transmitidas aos moradores em campanhas de sensibilização e informação realizadas pela FMA, que possibilitaram a comunicação dos pescadores às organizações competentes em realizar o resgate do animal em tempo hábil, até a contribuição das instituições envolvidas (APA e CMA) na ocorrência. Em casos de encalhe de peixe-boi marinho e de qualquer mamífero aquático, vivo ou morto, a Fundação Mamíferos Aquáticos (FMA) alerta: o primeiro procedimento é comunicar ao órgão ambiental atuante na região ou entrar em contato com a própria FMA, pelos telefones: (83) 9961-1338/ (83) 9961-1352/ (81) 3304-1443. Se o animal estiver vivo, siga as seguintes orientações:



1- Se estiver exposto ao sol, proteja-o fazendo uma sombra;
2- Não o alimente e nem tente devolvê-lo à água; 

3- Evite aglomeração a sua volta.




Saiba mais sobre o peixe-boi marinho

 O peixe-boi marinho é um mamífero aquático da ordem dos Sirênios, da família Trichechidae. Num ambiente saudável e livre de ameaças, ele pode viver de 50 a 60 anos, chegando a ter aproximadamente 4 metros e a pesar em torno de 500 kg. Apesar de todo este peso e do corpo volumoso, ele é herbívoro, se alimenta de algas, capim-agulha, folhas de mangue, entre outras plantas marinhas. É um animal extremamente dócil, mas que não deve ser tocado e nem domesticado pelos seres humanos.

O peixe-boi marinho é uma espécie que tem características peculiares quanto à procriação. Uma fêmea tem uma gestação que dura 13 meses e passa cerca de dois anos amamentando o filhote.  Ou seja, é preciso três a quatro anos para gerar uma nova vida, o que torna ainda mais delicado o trabalho de conservação da espécie.

Neste processo da relação mãe-filhote, é preciso bastante atenção. O ambiente ideal para que a fêmea cuide do filho é aquele que tenha água calma e alimentos ricos em nutrientes que sejam de fácil acesso, ou seja, os estuários e regiões costeiras protegidas. É lá que elas buscam se reproduzir, parir e descansar. Com o comprometimento destas áreas costeiras (em decorrência dos assoreamentos, poluição, entre outros fatores) muitas vezes as fêmeas reproduzem em áreas desprotegidas, o que acaba favorecendo para o encalhe dos filhotes.

Quer ajudar a proteger o peixe-boi marinho?
Basta tomar atitudes simples e conscientes, como:

- Não jogar lixo nas praias, pois o mesmo ocasiona a poluição do mar e estuário, acarretando danos diretos aos peixes-bois marinhos, que acabam confundido o lixo com comida, podendo ficar doentes e até morrer;

- Não construir casas e estabelecimentos em áreas de manguezais, pois é lá que se concentram diversos nutrientes necessários para a alimentação do peixe-boi marinho, sendo ainda o local de reprodução e descanso da espécie;

- Ao utilizar embarcações motorizadas, ter especial atenção nas áreas de ocorrência da espécie, pois a hélice das embarcações podem ferir os animais;


- Evitar ancorar embarcações em áreas com bancos de corais, fanerógamas marinhas (capim-agulha) e algas-marinhas.


Fotos: Acervo FMA.