Projeto Viva o Peixe-Boi Marinho investiga morte de animal reintroduzido no litoral norte da Paraíba


Era tarde do dia 20 de fevereiro, quando a equipe do Projeto Viva o Peixe-Boi Marinho (PVPBM) – realizado pela Fundação Mamíferos Aquáticos (FMA) com patrocínio da Petrobras, recebeu a informação de que havia um peixe-boi marinho (Trichechus manatus manatus) encalhado morto em uma das camboas do Rio Mamanguape. A médica veterinária e os técnicos de campo do Projeto e da Área de Proteção Ambiental (APA) da Barra do Rio Mamanguape, imediatamente se dirigiram ao local para verificar o ocorrido. Com a ajuda do equipamento de telemetria via satélite, a equipe identificou a localização exata do animal. Ele estava numa camboa conhecida como Portinho da Boa Vista, localizada na cidade de Marcação, litoral norte da Paraíba, e se tratava de “Tita”, um peixe-boi marinho fêmea, conhecido na região.  Os integrantes do Projeto levaram a carcaça para a base da APA da Barra do Rio Mamanguape, onde foi submetida à necropsia. Na ocasião, amostras de órgãos e tecidos foram coletadas para análises laboratoriais complementares com o intuito de identificar a possível causa da morte.


“Estamos realizando estudos mais aprofundados e enviando as amostras biológicas coletadas durante a necropsia para laboratórios no Recife e em São Paulo para entendermos o que aconteceu de fato com o animal e fecharmos um diagnóstico preciso sobre a causa da morte”, afirma o pesquisador e médico veterinário, João Carlos Gomes Borges, coordenador do PVPBM.

Tita era um animal reintroduzido. Foi encontrada, ainda filhote, encalhada numa praia do Ceará em 2005 e levada para o Centro Mamíferos Aquáticos/ICMBio, em Itamaracá, onde recebeu atendimento adequado e permaneceu por cinco anos em processo de reabilitação. Em 2010, já reabilitada, foi transferida para o cativeiro construído em ambiente natural no estuário da Área de Proteção Ambiental da Barra do Rio Mamanguape, para a readaptação, sendo solta neste estuário em 2012. De acordo com os técnicos do PVPBM, Tita apresentava uma área de uso diferente dos outros animais reintroduzidos. Ela costumava frequentar os locais situados mais a jusante do rio. Os outros peixes-bois utilizam mais a desembocadura do estuário. Assim como os quatro animais reintroduzidos (Mel, Iara, Puã e Zelinha), Tita vinha sendo monitorada via satélite pela equipe do Projeto Viva o Peixe-Boi Marinho, que também vem realizando o acompanhamento veterinário com intuito de verificar o estado de saúde destes espécimes.

O peixe-boi-marinho (Trichechus manatus manatus) está em perigo de extinção no Brasil. A morte de um peixe-boi marinho representa uma tristeza sem tamanho para instituições, comunidades e ambientalistas que trabalham em prol da conservação da espécie. Em um ambiente conservado, estes animais podem viver uma média de 50 a 60 anos. No entanto, os impactos ambientais provocados pelo homem ainda representam a maior ameaça à espécie. Lixo, esgoto e substâncias tóxicas lançadas nos mares e nos rios, circulação intensa de embarcações motorizadas nos locais de ocorrência da espécie, degradação dos manguezais, destruição da mata ciliar, construções desordenadas em praias e estuários, a perda de habitat (estuários e áreas costeiras), captura acidental em redes de pesca. Todos estes fatores colocam em risco o ambiente, a saúde e a vida deste mamífero.

O Projeto Viva o Peixe-Boi Marinho – que é realizado pela FMA e patrocinado pela PETROBRAS, através do Programa Petrobras Socioambiental – está atuando na Paraíba desde 2013 com ações e atividades que visam evitar a extinção da espécie no Nordeste do Brasil. Este foi o segundo caso de encalhe de peixe-boi marinho morto registrado esta semana no litoral paraibano. A equipe do Projeto orienta que caso alguém encontre um peixe-boi marinho ou qualquer mamífero aquático encalhado, vivo ou morto, nas praias Paraíba, o primeiro procedimento é comunicar ao órgão ambiental atuante na região ou entrar em contato com a FMA, pelos telefones: (83) 99961-1338/ (83) 99961-1352/ (81) 3304-1443. Em casos de encalhe de animais vivos, enquanto aguarda a chegada do resgate, a pessoa deve seguir as seguintes orientações: 1- Se o animal estiver exposto ao sol, proteja-o fazendo uma sombra; 2- Não o alimente e nem tente devolvê-lo à água; 3- Evite aglomeração a sua volta.