Peixes-bois marinhos terão um espaço especial para readaptação em ambiente natural no litoral paraibano


As equipes do Projeto Viva o Peixe-Boi Marinho, da APA e ARIE da Barra do Rio Mamanguape, CEPENE e voluntários da comunidade local estão trabalhando na construção de um cativeiro para readaptação de peixes-bois marinhos, espécie que atualmente está em perigo de extinção no Brasil. O espaço, que está sendo estruturado em ambiente natural, será direcionado aos peixes-bois marinhos em fase de readaptação e também àqueles que precisem de tratamento e cuidados clínicos especiais. A ideia é que, assim que estiverem aptos, os animais sejam reintroduzidos no estuário da região.



 A previsão é que o espaço comece a funcionar a partir do mês de dezembro. De acordo com o médico veterinário e pesquisador João Carlos Gomes Borges, coordenador do Projeto Viva o Peixe-Boi Marinho – realizado pela Fundação Mamíferos Aquáticos e patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental –, o cativeiro será de extrema importância para a conservação da espécie no país. “Dentro da estratégia nacional de conservação do peixe-boi marinho, estão previstas as reintroduções dos espécimes que encalharam e posteriormente foram reabilitados. Atualmente, no Nordeste, só existe uma estrutura semelhante a esta que estamos construindo e está localizada em Alagoas. Este cativeiro da Barra do Rio Mamanguape vai então agregar e otimizar os esforços em prol da soltura dos animais no nordeste brasileiro. Uma vez construído o cativeiro, daremos maior celeridade a este processo de reintegração de peixes-bois aos ambientes naturais”.
 
De acordo com o pesquisador, a Área de Proteção Ambiental (APA) da Barra do Rio Mamanguape é uma região propícia para essa reintegração da espécie. “Trata-se de uma das principais áreas de ocorrência de peixes-bois marinhos no Brasil, é um local que ainda dispõe dos principais atributos ecológicos que propiciam à existência da espécie, contando com um importante estuário, ambiente marinho, fontes de alimentação, qualidade hídrica, águas calmas e protegidas, e, além disso, trata-se de uma área de proteção ambiental”, ressalta João Carlos Gomes Borges, coordenador do Projeto Viva o Peixe-Boi Marinho.
 
A APA da Barra do Rio Mamanguape é uma região histórica na reintrodução de peixes-bois marinhos. Hoje alguns destes espécimes que foram reintroduzidos utilizam esta área. Neste contexto, o cativeiro também vai auxiliar no acompanhamento veterinário destes animais. “Eventualmente, alguns destes animais podem vir a ter algum comprometimento clínico e necessitar de tratamento mais efetivo. Em situações deste tipo, realizar o tratamento em um animal de vida livre requer um esforço muito grande, com dificuldades relacionadas a fatores como amplitude das marés, que muitas vezes limita a aproximação aos animais. Por meio do cativeiro, essas dificuldades serão minimizadas e o tratamento, quando necessário, será realizado com maior eficiência”, complementa Vanessa Rebelo, médica veterinária do Projeto Viva o Peixe-Boi Marinho. 
 
Além disso, o espaço vai contribuir também na sensibilização e conscientização da comunidade e de turistas que vierem visitar a região sobre a importância da conservação da espécie. “Nós entendemos que a estratégia de conservação do peixe-boi marinho integra diferentes instituições de pesquisa, instituições governamentais, não-governamentais e, sobretudo, a sociedade. Desta forma, entendemos que os animais que estiveram no cativeiro durante a fase de readaptação poderão ser um atrativo, fortalecendo assim o turismo de observação de peixes-bois marinhos na região, claro que de forma responsável e dentro das normativas estabelecidas”, explica João Carlos Gomes Borges. 
 
O Projeto Viva o Peixe-Boi Marinho - realizado pela Fundação Mamíferos Aquáticos e patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental - é uma estratégia de conservação e pesquisa para evitar a extinção desta espécie no Nordeste do Brasil. Atua nas áreas de pesquisa, tecnologia de monitoramento via satélite, manejo, educação ambiental, desenvolvimento comunitário, fomento ao turismo eco pedagógico e políticas públicas.


Foto: Sarah Kather/ Acervo FMA